E é assim que somos nós

Não era pra ser assim
Mas eu não consigo olhar pra você
Com os mesmos olhos que eu olho pra qualquer outra pessoa
Eu não deveria me importar com você
Mas estou sempre arrumando uma forma de saber por onde andas
E aposto que você nem sonha
Que de alguma forma estou sendo a tua sombra
Nada do que já foi deveria ser cogitado para ser outra vez
Mas eu sei que se o telefone tocar
Eu não pensarei duas vezes antes de atender
Tudo deveria ter naufragado no mar do esquecimento
Mas a realidade insiste em eternizar cada momento
Você deveria ser passado
Mas você mesmo insiste em estar de alguma forma sempre presente
Isto está patente em todas as tuas entrelinhas
Ou você acha que seus motivos fajutos são convincentes?!
Lamento informar que todos eles foram tão falhos
Quanto todas as minhas tentativas de te esquecer
Não era pra ser assim
Definitivamente não era
Mas sempre foi
Está sendo
E pra te ser sincera não sei se algum dia deixará de ser
Nunca vamos adimitir tudo isso não é mesmo?!
Seguimos nossos caminhos ao longo de todo esse tempo
E entre encontros e desencontros
A realidade é sempre a mesma
Ela vai para a tumba juntamente com o nosso silencio
Tenho quase certeza disso
Mas frente ao espelho a nossa máscara sempre cai
Na escuridão da noite tudo fica claro o suficiente
Para que sejamos sinceros conosco mesmo
É isso… o sentimento está alí
Como sempre esteve
Não deveria ser assim
Mas de alguma forma tudo é muito mais forte do que nossa capacidade racional…

N.A.A   -   Quinta-feira
14/01/2010  -  03h07

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:: De volta ao passado ::

Em um passado não muito distante eles viveram uma história de amor, entre tantos amores de ambos os lados, aquele parecia ser o que chamam de amor verdadeiro, mas sem alguma explicação aceitável, o destino os separou. Não muito tempo depois, em uma noite de sexta-feira, a campainha da casa toca e ela não acreditava no que seus olhos viam:

- Oi tudo bem?!
- Oi..
- Ainda lembra de mim?
- Mas claro que eu lembro. Como poderia esquecer de você!
- Posso entrar?! Preciso apenas de cinco minutos seus.
- Sim, claro!
- Olha, semana que vem eu vou me casar. Não me pergunte nada, eu não sei te explicar nada, apenas precisava urgentemente te ver. Só isso… te ver!

Aquele abraço ficaria na memória dela pelo resto da sua vida. Ele beijou-a de uma forma carinhosa e depois disso foi embora. Alguns anos depois ele toma conhecimento de que ela estava se organizando para casar e desesperado entra em contato com ela:

- Você está certa do que está fazendo?
- Claro que sim. Eu o amo e vou me casar com ele e tenho certeza de que seremos felizes.
- Não faz isso comigo, eu não aceito te perder!
- Mas você fez a sua vida, e eu tambem tenho o direito de fazer a minha.
- Olha, eu dei um passo errado na minha vida, mas me da uma chance. Eu estou disposto a largar tudo por você…
- Desculpa, mas agora é tarde.

O destino os havia separado e cada um foi viver a sua vida, buscando a felicidade no caminho que aos seus olhos era o correto. Não demorou muito para que o tempo os mostrasse as consequencias das escolhas erradas, mas agora não havia muito a fazer, muitas coisas não poderiam mais ser mudadas. Dez anos havia passado…

- Oi, vai fazer alguma coisa esse final de semana? Topas dar uma volta? – ele pergunta –
- Hummm tá bom, aceito sim.
Depois de tanto tempo eles estavam frente a frente mais uma vez e tudo parecia ser como a dez anos atras, mas eles não comentavam nada. Passaram por lojas, conheceram lançamentos, viram pessoas novas, comentaram sobre vida profissional, por fim concordaram em ir ao cinema assistir algum dos lançamentos. Escolheram um filme de tema engraçado que coincidentemente contava a história de um casal apaixonado, agora separado pelo destino. Ao término do filme não houve comentários, saíram da sala em silencio, percorreram o caminho de volta em silencio e na hora das despedidas, cinco segundos a mais de dois olhares silenciosos e dois suspiros profundos. De volta ao presente, cada um seguiu seu caminho…

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Saudades no telefone

O silencio era apenas uma camuflagem
Entre duas mentes que na verdade nunca conseguiram se esquecer
O orgulho e as circunstancias da vida fez com que ambos seguissem caminhos opostos
E assim ninguém assumia o óbvio
Até que naquela manhã o telefone tocou
Não havia nada que justificasse aquela ligação
A não ser uma saudade camuflada em algumas perguntas que não faziam sentido
As perguntas eram objetivas e as respostas mais ainda
Mas o descompasso involuntário nas batidas do coração
Indicava o óbvio que ambos insistiam em ignorar
De repente, o silencio…
O orgulho não deixava admitir que o pensamento era um só: “Como te quero!”
Mais um segundo e o sentimento tomaria conta de tudo
Mas levados pelo orgulho eles se despediram
Sufocando mais uma vez aquele sentimento
Que desde sempre insiste em manter-se vivo
Mesmo que as circunstancias já não cooperem mais para a sua existencia

N.A.A.   -   00h48
13.12.2009   -   Domingo

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Um sentimento mascarado

Eu quero ligar pra você
Não! Não! Na verdade eu não quero não saber como estas
Quero sim ouvir a tua voz
Quero sim estar contigo
Quero sim correr todos os riscos
Como sinto saudade de sorrir com o teu sorriso!
Sei que achas que eu já nem mais existo
Mas a verdade é que em oculto eu sigo teus passos
Achas que eu esquecí de tudo?
Ficarias então surpreso se soubesses
Que estas nos meus primeiros pensamentos
Todas as manhãs quando acordo
E que antes de dormir
Algo sempre me remete a nós dois
Sei que meu silencio te incomoda mas quer saber a verdade?!
É tudo uma grande mentira
O silencio na verdade é um grito de um desejo sufocado
Que com medo de parecer insano
Limita-se as cadeias que a sociedade criou
Será que algum dia essa historia terá um final
O mundo já deu tantas voltas 
E cada encontro é um recomeço que nunca tem fim
Trilhamos nossos caminhos
Mas lá na frente sempre tem algo que nos une
Me afasto mas a vontade é de estar perto
Te evito mas a vontade é de estar sempre a disposição
Te esqueço por um momento
Mas a verdade é que nunca saiste do meu coração

N.A.A   -  00h23
13/12/2009   -  Domingo

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Tudo outra vez

Dormi, mas a mente não repousou…
As idéias vagavam por horas a pouco passadas
Não sabia se lembrava dos princípios do paradigma
Ou dos momentos de felicidade proporcionados pela ausência dele
Dormi, mas hoje foi um sono diferente
Misturado com as lembranças do passado
E tantas interrogações do tempo presente
Não sabia se tentava entendê-las ou ignorá-las
Já havia tentado tantas vezes
Mas a única coisa que eu entendia
Era que o passado era um sentimento imortal
Que vagar pelo presente insistia
Dormi… sim dormi…
Embalada pelos arrepios de uma noite surreal
Numa mistura de razão e emoção
De céu e inferno
De prazer e de dor

N.A.A.
31/08/2009

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:: Insonia ::

“Insonia é nada mais nada menos do que acompanhar o desligar das estrelas passo a passo”

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:: O fantasma ::

Depois de tanto tempo o fantasma ainda continua ali
Basta sentir teu cheiro para que tudo que já foi
Insista em ser mais uma vez
Percebo um pensamento escondido por trás dos olhares
Os disfarces são tão imprecisos
Há sempre um mistério escondido por trás dos sorrisos
Depois de tanto tempo parece que o tempo não mudou
O silêncio de hoje insiste em falar das palavras de anos atrás
As palavras de hoje insistem em camuflar
Um sentimento que nunca nos deixa em paz
Depois de tantas mudanças
Tantas idas e vindas
Quando nos encontramos ainda estamos no mesmo ponto de partida
Não temos coragem de admitir
Mas é isso o que o desconforto nos faz sentir
Não há voltas mas também nunca houve idas
No final há um fantasma vagando por esse universo
Um fantasma que insiste em estar por perto
Toda vez que nos encontramos.

N.A.A.

02.03.2009 <<>> 16:06

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